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Pastoral da PIB Nilópolis

HERÓIS ANÔNIMOS

A semana que se encerrou deixou um saldo de pelo menos três óbitos em lares de nossa Igreja: Irmão Claudemiro Pereira, fotógrafo por mais de cinco décadas na PIBN; Senhor João Nahum, esposo da irmã Maria Irene Ribeiro Nahum e Wagner Gustavo Albino de Almeida, filho da nossa querida irmã Cleuza Maria Albino de Almeida. A dor de perder ente querido é muito grande, mas o conforto de saber que foram cuidados até o último momento, aplaca um pouco o nosso sofrimento.

Infelizmente, foi preciso que um vírus impiedoso causasse tantas baixas para lembrar a importância de uma classe quase invisível: OS PROFISSIONAIS DA SÁUDE. Não falo apenas do médico, mas principalmente dos outros operários hospitalares (enfermeiros, técnicos diversos, serventes, maqueiros, motoristas de ambulâncias, seguranças e tantos outros) que diuturnamente trabalham sem as condições necessárias para que o sistema não pare e vidas sejam salvas.

Quando os primeiros profissionais da saúde começaram a morrer por contaminação na China, foi que o mundo se apercebeu deles. Pessoas que passavam 12, 16 , 24 horas em um plantão e voltavam para casa exaustos e frustrados em ver tanto esforço desperdiçado. Muitos levaram sem saber o vírus para casa e contaminaram familiares que também morreram. Os combatentes desta guerra não conheciam a letalidade e a voracidade de um inimigo invisível, mas não abandonaram a luta.

“É uma vergonha que um astro de futebol ou do show business ganhe tanto dinheiro, enquanto a ciência e a pesquisa tenha que mendigar verbas”, desabafou uma cientista em rede nacional. Ela pedia mais recursos para a pesquisa e melhores salários para a classe, mas foi apenas mais um desabafo que certamente não vai reverberar porque ninguém se importa, até precisar deles, mas passada a crise também se esquecem…

Por isso neste domingo triste, depois de três perdas irreparáveis, eu quero honrar esses Profissionais idôneos, esses trabalhadores natos, essa classe nobre, e esses combatentes suicidas, esses heróis anônimos, dizendo que nossa honra e nossa recompensa virão do Senhor, pois essa é a sua promessa. Lucas 12.43.

Pastor Levy de Abreu Vargas,
Técnico de enfermagem e Laboratorista pela EsSEx.

MEU SER SOLITÁRIO

MEU SER SOLITÁRIO

Estudos revelam que quase metade da população mundial é composta de pessoas introvertidas. Elas não são tímidas nem solitárias, mas pessoas normais que gostam de passar mais tempo consigo mesmas que em companhia dos outros. São capazes de passar um final de semana inteiro ouvindo músicas, assistindo vídeos, lendo um bom livro ou até mesmo limpando a casa. Não sentem necessidade de companhia, pois essas atividades já preenchem plenamente suas necessidades relacionais.

Enquanto fazia o curso de teologia, nosso professor de prática ministerial recomendou a leitura de um livro bem sugestivo, que naquela época já era um Best Seller: Temperamentos Controlados pelo Espírito (Tim Lahaye), uma obra de fácil leitura que descrevia de forma bem humorada os quatro temperamentos básicos da natureza humana. Confesso que ele me ajudou muito especialmente nos primeiros anos de ministério.

Trinta anos depois vejo que a natureza humana não mudou muito e o livro continua vendendo aos milhares. Os quatro temperamentos (colérico, sanguíneo, fleumático e melancólico) básicos ali descritos são facilmente inidentificáveis em nossas relações, não como crítica, mas como constatação natural de algo que é comum a todos. Eu por exemplo, tenho muito mais do temperamento fleumático que do colérico e sanguíneo por conta de meu jeito de ser. Outros são quase 100% melancólicos, enquanto os líderes de torcidas organizadas são “sangue puro”, vivem da adrenalina das massas, do ambiente coletivo e se alimentam nas multidões. Quase sempre são passionais, emotivos e altruístas.

O mesmo livro revela que ninguém é 100% de um único temperamento. E mesmo os que têm temperamentos mais acentuados em uma ou outra direção podem ser ajudados a chegarem ao equilíbrio através de uma vida mais piedosa e relacional, afinal, todos sabem que os extremos são perigosos e o equilíbrio é sempre a marca da sabedoria.

Não gostar eventualmente de estar com pessoas não é um problema, o problema é quando elas só gostam de fazer isso. Nosso maior exemplo de vida é Jesus que equilibrava longas exposições coletivas com retiros temporários e pessoais para orar, refletir, meditar e se reabastecer no silêncio. Outros se abastecem no barulho, no burburinho e nas multidões. Cada um sabe o que é melhor para si, cabe aos outros respeitarem as escolhas.

Pastor Levy de Abreu Vargas